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00:00:00 | 07 de Março
PF prende líderes de seita que aliciavam fiéis para trabalho escravo em três estados
RIO E SÃO PAULO – A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira uma operação para prender 22 líderes da seita religiosa "Traduzindo o verbo – A marca da verdade", acusados de aliciar fiéis para trabalhar em condições análogas à escravidão em fazendas e estabelecimentos comerciais de São Paulo, Minas Gerais e Bahia. Eles devem responder pelos crimes de tráfico de pessoas, estelionato, organização criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
Na operação "Canaã – A Colheita Final", 220 policiais federais e 55 auditores fiscais do Ministério do Trabalho (MTE) estão cumprindo 22 mandados de prisão preventiva, 17 mandados de interdição de estabelecimento comercial e 42 mandados de busca e apreensão (expedidos pela 4ª Vara Federal em Belo Horizonte/MG).
A investigação aponta que os dirigentes da seita religiosa, com sede em São Paulo, agiam convencendo fiéis a doar todo o seu patrimônio a associações controladas pela organização criminosa, sob o pretexto de viver em comunidades, onde todos os bens seriam compartilhados. Depois de doutrinadas, as vítimas eram levadas para zonas rurais e urbanas em Minas, São Paulo e Bahia, onde eram submetidas a extensas jornadas de trabalho, sem nenhuma remuneração, em lavouras e estabelecimentos comerciais como oficinas mecânicas, postos de gasolina, pastelarias e confecções.
De acordo com a Polícia Federal, com a apropriação dos bens dos fiés e o desempenho de atividades comerciais sem o pagamento da mão-de-obra, a seita acumulou grande patrimônio – casas, fazendas e veículos de luxo – e estaria ampliando a área de atuação até o estado do Tocantins.
A investigação começou em 2011, quando a seita estava migrando do estado de São Paulo para Minas Gerais. No ano de 2013, foi desencadeada a "Operação Canaã", com inspeções nas propriedades rurais e em algumas das empresas urbanas. Em 2015 foi deflagrada a segunda fase, batizada "De volta para Canaã", quando foram presos temporariamente cinco dos líderes religiosos.
"Canaã – A Colheita Final" é a terceira fase da operação. O nome é uma referência bíblica à terra prometida por Deus a seus fiéis.
VIZINHOS DESCONHECEM ATIVIDADES SUSPEITAS
A sede da igreja em São Paulo estava fechada quando a reportagem do GLOBO chegou no local. Apenas um fiel da igreja atendeu a reportagem, afirmando que estava fazendo a manutenção diária do templo. Questionado se recebia algo pelo serviço, afirmou que se tratava de um trabalho voluntário típico de um fiel. Ele desconhecia qualquer denúncia contra a organização.
No bairro da Lapa, a igreja fica em uma rua formada principalmente por comércios. A fachada da construção, que se assemelha a de um galpão que fica ao lado é simples, com portão de metal. O segundo andar ainda está inacabado.
Alguns vizinhos conheciam a atividade suspeita no local em razão de uma reportagem veiculada pelo "Fantástico" em 2015, quando a PF fez outra fase da operação. Outros moradores, no entanto, ficaram surpresos ao saber das denúncias.
Segundo eles, a igreja fica aberta apenas a partir de quinta-feira. Vizinhos ouvidos pelo GLOBO também reclamaram do barulho excessivo dos cultos que, segundo eles, ocorre até durante a madrugada.
Em sua página na internet, a igreja mantém uma série de vídeos estrelados pelo pastor Cícero Vicente de Araújo, que chegou a ser preso pela PF em 2015. Em nenhum dos vídeos, ele comenta as operações policiais contra sua igreja.


O GLOBO não conseguiu contato com a direção da igreja para comentar a investigação.
Foto: Reprodução/EPTV e Dimitrius Dantas / Agência O Globo
Fonte: O GLOBO