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17/03/2014 08:58:07

Desabastecimento é nova ameaça aos desabrigados da cheia

 

Os flagelados da cheia na região do Baixo-Madeira começam a conviver agora com o fantasma do desabastecimento. Os donos dos comércios flutuantes e dos poucos minimercados ainda não inundados, como o do distrito de Calama, decidiram cancelar a maioria das encomendas  de carnes congeladas, principalmente de frango, por causa da queda nas vendas e da falta de energia elétrica para manutenção dos produtos.

Os comerciantes alegam que, além da inundação das termoelétricas de geração que obrigaram a Guascor a suspender o fornecimento de energia à toda a região ribeirinha, há também pouco dinheiro em circulação em virtude dos produtores terem perdido as plantações de mandioca, melancia, milho, cana de açúcar, côco, cupuaçu, arroz e banana, e estão sem condições para produzir farinha, verduras e legumes outras fontes de renda dos ribeirinhos.

 

 

Pelos cálculos da comerciante Maria Edite Ferreira dos Santos, proprietária de um minimercado e do clube local, no bairro São Francisco, em Calama, houve uma queda de 60% nas vendas. “Não estou mais nem fazendo novas encomendas de Porto Velho, porque o movimento caiu muito”.

 

 

A proprietária de um comércio em funcionamento há 3 anos num dos flutuantes do distrito de São Carlos,  a três horas de barco da sede do município, Porto Velho (RO), Marineide Rodrigues Furtado, admite que o movimentou caiu um pouco, mas o maior problema é a falta de energia e de telefone público.

Marineide disse que outra preocupação é com a busca de um local mais seguro para transferência da vila, proposta defendida por um grupo de antigos moradores. “Mas nem todos concordam”, explicou.

Antônio Castro, dono de uma fábrica de gelo no distrito de Calama foi obrigado a fechar o negócio após a enchente.  Ele aproveitou para fazer um apelo às autoridades no sentido de que olhem com mais atenção para os flagelados, pois mora há 40 anos na comunidade e nunca viu uma cheia tão grande.

O distrito de Calama está com os abrigos superlotados, mas continuam, segundo Castro, recebendo atingidos de outras comunidades como de Papagaio, Ilha de Assunção, Demarcação, Firmeza e Conceição. No Centro Catequético local, onde estão abrigadas quatro famílias, a água ameaça inundar as instalações.

 

Porcos destroem plantações

Um bando de porco selvagem, provavelmente queixada, cruzou da terra firme para a gleba Rio Preto e está destruindo desde a última quinta-feira (6) várias plantações de mandioca e banana. Segundo a neta de índios Caiapós, Marluce Vieira de Souza Mendonça, 57 anos, o bando destruiu uma roça com mais de meio hectare - 250 m - de plantio de mandioca e derrubou bananeiras. “O bando estava enfurecido e acho que estava fugindo da cheia”, disse a mestiça, após lembrar que sua mãe foi raptada da tribo por um fazendeiro no Pará, quando era criança e morreu 15 dias depois do seu nascimento.

 

 

Raimundo Ferreira Ramos, morador antigo de Ilha Nova, próximo à comunidade Ressaca, garante que há muito jacaré na região, a maioria açú. Teve também um prejuízo incalculável com a perda total de 10 mil covas de mandioca que era para o fabrico de farinha. “Esse prejuízo”, acrescentou: “ainda vai chegar na mesa de quem mora na cidade”.

 

Texto: Abdoral Cardoso
Fotos: Marcos Freire
Decom - Governo de Rondônia




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