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HORA DO MUÇÃO
16:00h às 17:00h
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00:00:00 | 29 de Junho
HORA DO MUÇÃO
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Ex–governador de Rondônia escreve "Crônica dos Prado–Dutra–Pereira: Meio Século nas Terras de Rondon"
"Daniel Pereira
AS DUAS LINHAGENS
No amanhecer do século XX, nas terras de São Paulo, firmou-se uma aliança entre duas linhagens de uma mesma raiz Dois primos, Bernardo Dutra Pereira e Inácio Luiz Pereira, ergueram duas casas ao desposarem as irmãs Isabel de Jesus Pereira e Maria Francisca de Jesus Pereira.
E as familias multiplicaram-se. Da união de Bernardo e Isabel nasceram, entre outros que o tempo guardou, Antonio Manoel do Prado, Sara Dutra e Francisco Dutra Pereira. Da união de Inácio e Maria vieram ao mundo quatro filhas e quatro filhos, entre os quais os irmãos João, Joaquim e Manoel-todos chamados de "Inácios" em homenagem ao pai, além de José Maria Pereira Sobrinho: aqueles que o destino reservara para desbravar o Norle
O EXODO PARA O SUL
Antes mesmo que o século dezenove lindasse, os primos Bernardo e Inácio partiram de sua terra natal. Como antigos nomades, caminharam por seis longos anos até avistarem o noroeste paranaense, assentando tendas na região onde brolaria a cidade de Campo Mourão.
Mais tarde, ja nas primeiras luzes do século vinte, as irmãs Isabel e Maria seguiram os passos de seus varões. A jomada foi dura, vencida em lombo de animais por mais de trinta dias de sol e poeira. Corria o ano da graça de 1911 quando Maria -que o povo passou a chamar de "Maria do Inácio e, depois, "Maria Inacia completou a travessia.
Trazia no ventre a primogênita Benedita Pereira, uma das primeiras vidas a chorar e florescer naquele solo que, décadas depois, seria cidade. Eram homens e mulheres da terra, que buscavam no chão paranaense o pão e o sustento de suas sementes
O RECONHECIMENTO DO PIONEIRISMO
A história das terras paranaenses reconhece o valor de seus pioneiros. O alvorecer do futuro município de Campo Mourão fundou-se com a chegada de colonos oriundos de São Paulo, os primeiros a plantar e colher naquelas terras prósperas. Entre eles, destacam-se os primos Bernardo e Inácio, acompanhados de suas esposas. O esforço e a bravura da familia Pereira foram imortalizados décadas depois, dando nome a uma das principais vias da prospera cidade a Avenida Irmãos PereiraA PROMESSA DO NORTE
Passaram-se as anos, e os olhos da familia vallaram-se para o setentrião. Na inicio da década de setenta, quando o jovem Território Federal de Rondônia possuía apenas duas cidades-pouco mais que villas: Porto Velho e Guajará-Mirim o5 primeiros daquela estirpe cruzaram as fronteiras da nova fronteira, habitando as paragens que hoje se chamam Ji-Paraná, Ouro Preto, Jaru e Ariquemes.
No ano de 1975, Antonio Manoel do Prado, junto a sua irma Sara Dutra e ao cunhado Antônio dos Santos, além de Dulcina Donato Pereira (Müva de Francisco Dutra Pereiral e seus filhos, chegaram as terras de Vilhena. Não tardou para que os primos ouvissem o chamado: Manoel veio em 1977, José Maria, em 1978, Joaquim e João, em 1979. Assentaram-se todos na localidade do Quilômetro 21, hoje a cidade de Colorado do Oeste
Ali, pelas mãos do Incra, erguia-se o Projeto Integrado de Colonização Paulo de Assis Ribeiro (PIC-PARL, a sementeira de onde germinariam os municipios de Colorado do Oeste, Cerejeiras, Cabixi, Corumbiara e Pimenteiras
O SUOR E O FRUTO DA TERRA
E a terra foi repartida. Os primos José Maria Prado e José Dutra Pereira receberam seu quinhão em Colorado do Oeste Antônio dos Santos e seu filho, Mozair Divino dos Santos, herdaram as malas de Cabixi. Joaquim e José Maria fixaram-se em Corumbiara, enquanto Manael Inácio fincou suas raizes em Pimenteiras. A Antônio Manoel, o destino reservaria seu pedaço de chão em Machadinho do Oeste, anos mais tarde.
Ao chegarem à herança de Colorado, enfrentaram o gigante verde da mata virgem. Com as próprias mãos, ergueram choupanas precarias e lançaram as primeiras sementes ao solo rondoniense. Das mãos calejadas dessa familia tambou α floresta que deu lugar à area urbana daquela cidade, antes mesmo que cada um partisse para as glebas que o governo lhes entregara
A partir daquele ano de 1975, começou um novo tempo para as Prado-Dutra-Pereira. Suas vidas misturaram-se à história daqueles que viram a fundação do Estado, em 22 de dezembro de 1981.
OS PATRIARCAS E O DESCANSO ETERNO
Dos patriarcas e madonas que iniciaram a jomada em 1975, o tempo poupa apenas o casal Sara e Antônio dos Santos Ambos ja romperam a barreira dos noventa anos de idade e ainda habitam a mesma parcela de terra que o Incra thes confiou na colheita dos anos selenta, na zona rural de Cabio, Eles testemunham o tempo.
Os outros recolheram-se aos seus antepassados. Joaquim Inácio e sua esposa, Mariazinha, trabalharam a terra até 1993, quando retornaram ao Parana, ande hoje repousam em Campo Mourão. Dukina Donato, hã não muito tempo, foi sepullada em Vilhena.Em Colorado do Oeste, contudo, formou-se o solo sagrado da familia. Ali foram sepultados Antonio Manoel do Prado e sua esposa, Ana Borba, os primos João Inácio e Aparecida; José Maria e Leonir Rocha, e Manoel e Eloina Rocha. Repousam lado a lado, em fileira, deixando aos vindouros a mensagem de que nem mesmo a foice da morte foi capaz de separar o que a vida uniu.
A MATRIARCA MARIA INÁCIA
Ergue-se na memória a figura mitica da mãe e tía Maria Inácia. Viúva desde 1938, quando o esposo Inácio Luiz partira, ela bravamente passou a conduzir a familia de quatro filhas e quatro filhos. Apenas uma jovem quando chegara ao Sul, mais de seis décadas depois lem 1977) seguiu o filho Manoel rumo ao Norte desconhecido, já com 83 anos de vida.
Nos anos que se seguiram, entre 1978 e 1979, ela viajou sem cessar entre o Paraná e Rondônia. Como uma ave que recolhe os filhotes antes da tempestade, a cada viagem trazia um de seus filhas com suas respectivas familias, até ver os quatro rebentos reunidos sob o sol rondoniense.
Cumprida a missão, Maria Inácia adormeceu no ano de 1985. Inaugurou, assim, o "condominio do sono eterno" em Colorado do Oeste. Ali, na quietude da terra vermelha, a matriarca descansa junto a filhos, noras, nelos e nelas, enquanto a poeira de seus corpos se mistura ao chão que adotaram por patria.
DANIEL PEREIRA, ex-governador de Rondônia, é filho, sobrinho e neto dos destemidos pioneiros que nessas paragens do poente buscaram sua terra prometida"
