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Chorão: os cinco anos da morte do ídolo musical de uma geração
Na manhã de 6 de março de 2013, uma quarta-feira, o Brasil acordou com uma triste notícia: o cantor Alexandre Magno Abrão, o Chorão, da banda Charlie Brown Jr, tinha morrido. Há cinco anos, o corpo do artista foi encontrado em seu apartamento em São Paulo, sem vida após uma overdose de cocaína. O grupo liderado por ele marcou uma geração com músicas que abordavam críticas sociais, questionamentos individuais e até romantismo.
De acordo com o laudo do IML de São Paulo, havia no corpo do cantor 4,714 microgramas de cocaína por mililitro de sangue. Para os legistas, por conta do estado de saúde de Chorão, ele não resistiu à quantidade de droga. Segundo o documento, constava que Alexandre tinha alterações no coração, nas artérias coronárias, nos rins, no fígado e um edema cerebral.
O motorista de Chorão, Kléber Atala, e o segurança Victor Mehl encontraram o cantor morto no chão da cozinha do apartamento. O local estava completamente desorganizado: o ar-condicionado foi deslocado da parede, havia manchas de sangue pela residência, muitas latas de cerveja jogadas pelo chão e o sofá estava revirado. A notícia deixou os fãs e os membros da banda chocados.
Ex-guitarrista da banda Charlie Brown Jr, Marco Antônio Valentim, mais conhecido como Marcão, participou da formação inicial do grupo. Marcão conta que todo dia 6 de março, desde a morte do amigo, se tornou um dia pesado para ele. “Foi inacreditável: eu recebi um telefonema durante a madrugada avisando que ele tinha morrido e eu perdi o rumo. Foi difícil acreditar que aquilo estava acontecendo”, relata o músico.
Chorão tinha um gênio difícil: envolveu-se em diversas brigas ao longo da carreira e desentendimentos com vários membros da banda. Os mais próximos, porém, afirmam que ele era extremamente profissional e tinha um coração enorme. "Era um grande trabalhador. Ele chamava no peito e resolvia. Era um cara muito sincero nas suas ideias. Uma das pessoas mais completas em termos de artista e letrista. Chorão era uma figura realmente rara", lembra Marcão.
O guitarrista lembra da perda de outro membro da banda, Champignon, ex-baixista do CBJR. Ele cometeu suicídio no mesmo ano, em 9 de setembro. "Eu fiquei assustado. Parei de ouvir música, mas depois eu reparei que era ela que iria me salvar. A música foi minha terapia. Meu estúdio se tornou, praticamente, uma psicanálise para mim".
Atualmente, Marcão possui um grupo musical chamado Bula, com dois discos lançados e um terceiro programado para sair este ano.
Personalidade
Pedro Telmo, estudante de administração, de 21 anos, conta que quando recebeu a notícia da morte, a ficha não caiu. “Foi horrível, eu chorei muito. O Charlie Brown é minha personalidade. Era uma terapia e me ajudou em diversas situações de vida”, lembra. Pedro fez uma tatuagem do álbum preferido, Imunidade musical, para homenagear a banda.
Para o estudante, Chorão era uma pessoa muito boa, mas era claro que tinha problemas sentimentais. “Acho que qualquer sentimento diferente que ele sentia, tanto de bom quanto de ruim, alterava algo gigantesco nele”, avalia Pedro.
Em 2011, Pedro Rocan, 38 anos, vocalista do grupo musical Projeto Minduim, desenvolveu com os companheiros o Tributo ao Charlie Brown Jr. A ideia é uma homenagear a banda da qual todos os membros são fãs. Os músicos pediram permissão para homenageá-los, chegaram a abrir shows do conjunto e a cantar com o CBJR. Até tinham a intenção de gravar uma música juntos. “Mas, infelizmente, Chorão foi embora antes”, relata Pedro.

Pedro tornou-se grande amigo de Chorão e sentiu muito a perda dele. Depois que o cantor morreu, a banda continuou com o projeto a fim de manter a essência do Charlie Brown viva. “Eles movimentaram uma das melhores épocas do rock do Brasil. Eles preencheram uma lacuna, na época, deixada pelo Raimundos. Misturavam letras politizadas com canções de amor. Se depender da gente, eles nunca serão esquecidos”, diz Pedro.
Foto: Paulo H. Carvalho/CB/D.A Press
Fonte: Correio Braziliense