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Os Tenharim e os Uru–eu–Wau–Wau

13 de Janeiro de 2014

O meu filho de doze anos largou de ver a televisão, correu pra mim e disparou a pergunta:

- Pai, será que os índios comeram os três homens que sumiram lá no mato deles? Referia-se às pessoas de Humaitá, município do Sul do Amazonas que supostamente desapareceram num ato de vingança dos índios da aldeia Tenharim. Ele acabara de ver notícia sobre o assunto na televisão.

Expliquei-lhe que índios não comem gente. Que essa prática ficou perdida na lonjura do tempo. Hoje eles gostam é de televisão e novela, de celular e computador, de carro e geladeira. Pelo menos, a maioria. Os costumes dos homens primitivos sobrevivem nas poucas tribos ou grupos isolados nos fundos das florestas, escondendo-se dos males das gentes civilizadas.

Mas não deixo de dar razão ao comandante do exército na Amazônia que teme conflito com mais mortes na região. Até uma ONG de Porto Velho recebeu uma carta supostamente vinda da tribo Tenharim pedindo socorro. Impedidos de sair da aldeia até para caçar e de cobrar pedágios na Rodovia Transamazônica que corta suas terras, perderam uma importante fonte de renda e de sustento.

A fome e a necessidade são um grande propulsor de atos tresloucados. A vingança também.

Me lembro perfeitamente dos graves e cruéis acontecimentos que, nos anos oitenta envolveram os colonos que chegavam em Rondônia e os índios Uru-Eu-Wau-Wau recém descobertos e ainda arredios. O Município de Cacaulândia tinha o seu Travessão Zero dentro das terras desta etnia nômade. Não foram poucos os conflitos com mortes de ambos os lados. Na maioria dos casos a imprensa não tomou conhecimento.

Mas teve um caso amplamente registrado: o rapto do menino Fábio, filho do seringueiro João Teles, morador da Vila Velha onde hoje está o Bairro Marechal Rondon, na cidade de Ariquemes. Nunca foi encontrada a criança.

O ato foi atribuído aos Uru-Eu-Wau-Waus e provocou expedições de vingança e de extermínio. Nunca se soube quantos nativos morreram nestas escaramuças. Mas cada vez que um colono aparecia na pedra do necrotério de Ariquemes, cheio de flexas, a comoção tomava conta dos ânimos e os índios perdiam a guerra. Os sobreviventes refugiavam-se nos confins da selva amazônica. Hoje os hábitos dos brancos se encarrega de exterminá-los lenta e inexoravelmente.

Agora a história se repete em pleno século XXI. Por conta disso, Humaitá ganhou a mídia nacional e internacional e a presidente Dilma Roussef, temendo os danos em pleno ano eleitoral, despachou pra lá todas as forças. Até o exército.

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