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ARIQUEMES, MINHA TERRA

29 de Outubro de 2013

Emociono–me ao falar ou escrever este relato. Acho que tenho a ver com as decisões dos meus filhos. Creio que perceberam o tamanho do meu amor por esta terra onde cheguei para fazer matérias sobre cacau e nunca mais voltei.

ARIQUEMES, MINHA TERRA

Desde o dia 11 de outubro que procuro um tempo para falar da minha cidade. Aquela que me recebeu, me acolheu e me envolveu no seu húmus fértil. Estou falando de Ariquemes que me deu tantas riquezas, tantas alegrias. E entre esse tesouro, uma jóia chamado Dr.Thiago Patta e da mesma forma, cuida e embala até hoje, outra gema preciosa, grapiúna, nascido na Itabuna de Jorge Amado: Dr.George Patta. Este, odontólogo de primeira linhagem, recusou tantas tentadoras propostas do Leste/Sul maravilha, para fixar-se em Ariquemes, a terra do seu coração, junto de sua mãe e dos amigos. Aquele, resistiu a todas tentações ao formar-se em medicina na Ufam, do Amazonas. Inclusive de ir para a Europa. E, como o irmão, fez questão de retornar para a sua querida Ariquemes. Sua terra natal. É lá que ambos dão suas contribuições e derramam seu amor. 

Emociono-me ao falar ou escrever este relato. Acho que tenho a ver com as decisões dos meus filhos. Creio que perceberam o tamanho do meu amor por esta terra onde cheguei para fazer matérias sobre cacau e nunca mais voltei. Deixei para trás a também muito amada Itabuna, cheia de encantos e dengos, rica e poderosa, vizinha da bela Ilhéus banhada e decorada por praias estonteantes onde me esbaldava em dias de sol e noites de lua cheia. 

O assobio do Seringueiro que nunca vi, escondido no alto das copas de árvores centenárias, o banho gelado nos igarapés de águas limpas no meio das matas, os folguedos nas praias de verão do Rio Jamari, a terra lamacenta e viscosa, o cheiro do seu ventre acolhedor, matriz de tantas vidas e riquezas, tudo isso, inclusive a visível alegria de homens e mulheres domando a selva com o peito explodindo de esperanças, me fisgaram e me prenderam com prazer. Há trinta e quatro anos estou nesta doce prisão. 

Então me juntei àquela corrente em mutirão na construção de uma nova cidade e um novo estado. E tudo dei de mim como tantos outros o fizeram. Montei O Parceleiro como instrumento de sobrevivência, mas também para registrar a saga daquela gente heroica que me transformara em testemunha privilegiada. Tudo fazia para ajudar. Acabei sugerindo ao prefeito nomeado, Francisco Sales Duarte de Azevedo, um jovem com uma missão quase sobre humana de abrir caminhos num município maior que muitos países e, ao mesmo tempo, construir uma cidade no meio da floresta amazônica, que dividisse esse encargo com uma comissão de cidadãos de boa vontade, já que não contava com câmara municipal. E assim nasceu o Conselho Comunitário de Ariquemes, em 1979. 

Composto por membros da comunidade que se reuniam com o prefeito indicando prioridades, sugerindo soluções e encaminhando proposições, o Conselho Comunitário foi o embrião da futura classe política da cidade. Não lembro mais o nome de todos, mas participaram dele Lerson Sápiras (o Corbélia), Pedro de Oliveira(o famoso Pedrinho), Osvaldo Daltiba e um dos vereadores da primeira bancada legislativa do município, João Leite, hoje decano da Câmara Municipal de Ariquemes. E eu, que largava O Parceleiro e o meu lote onde plantava sonhando vir a ser um coronel do cacau igual os personagens de Jorge Amado em Gabriela, Cravo e Canela, para ficar horas, manhãs e dias trabalhando pelo Conselho e pelas causas públicas de Ariquemes. Não ganhava um centavo. Acabava gastando o pouco que juntava. Mas isso não importava. Não reclamo e nem me arrependo. Pois amo essa minha terra onde, hoje, não possuo nenhum palmo do muito que ela me deu. Mas é ela que cuida dos meus filhos. É nela e nos amigos que vivem lá, que renovo minhas energias. Graças a Deus. 

Osmar Silva – é jornalista – sr.osmarsilva@gmail.com

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