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A NOSSA FARINHA

22 de Outubro de 2013

A nossa farinha 

Gente, há coisas que intrigam e tornam difícil a compreensão. Todos sabemos que carne, arroz, feijão e farinha não podem faltar na mesa da maioria dos brasileiros. Embora sejamos um país de águas abundantes, doce e salgada, o peixe só vem depois. Se faltar carne. Até pelo fato de, pouco tempo atrás, o peixe ser visto como comida de pobre. Bastava uns peixinhos e um pouco de farinha. Essa, a comida dos mais pobres ainda. As duas misturas eram baratas. E a farinha d’água, ainda mais barata. Era. Agora não é mais. Virou passado. Está ficando somente na lembrança. 

Sou, como a maioria da nossa gente, comedor de farinha. Na minha Bahia, na rica Itabuna, comia farinha branca, importada de Nazaré das Farinhas, lá no Recôncavo Baiano, a melhor, a mais fina e a mais torrada, crocante. Na minha Ariquemes aprendi comer farinha d’água, grossa, amarela, também estalando nos dentes. Produto comprado no mercado central de Porto Velho, importando de Cruzeiro do Sul, lá do Acre. Me apaixonei. Hoje não vivo sem minha farinha d’água. Como até com macarronada ou melancia. E o mais importante: Rondônia já produz farinha com a mesma qualidade que o Acre. 

Então. Não precisamos mais importar farinha. Seja d’água ou branca. Mas por que ela está custando o olho da cara? Por que seu preço é preço de produto importando das Oropas, hein??? 

Não consigo compreender. R$ 8,00 o quilo em balança ou embalagem que não merece confiança. Mais cara que um quilo de carne de boi ou de peixe ou de frango. Por quê? “Ah! É porque as águas das usinas acabaram com os mandiocais dos ribeirinhos. Tá faltando mandioca!” explicam os comerciantes quando questionados. Conversa fiada! Papo pra boi dormir! Então só se faz farinha com mandioca de ribeirinho? Então vamos voltar a comprar lá de Cruzeiro do Sul. Talvez fique mais barato. 

Como é que vou continuar fazendo minha farofa de carne assada no fogo, desfiada e passada no pilão para o meu café da manhã? Com esse preço? Não, não dá! Me sinto roubado, obrigado e constrangido a assaltar o meu próprio bolso cada vez que tiro R$ 8,00 para pagar um quilo de farinha. Cruzo a rua, entro no açougue e compro uma costela carnuda por R$ 7,00. Ou o quilo do frango por R$ 3,00 ou ainda o quilo do Tambaqui por R$ 4,00. Ou seja: dois quilos de Tambaqui por um quilo de farinha. De todos esses produtos quem tem o custo maior? 

Vejamos: o boi, você tem que cuidar dele por três anos com bom pasto, com vacinas, com remédios e com sal. Ele precisa de terra (cara), de pasto (três anos entre derrubar, queimar, plantar e formar), de vaqueiro e carinho. Quando você o abate, quanto ele lhe custou? O frango, dia e noite comendo ração. Remédios, vacinas, hormônios, luz acesa 24 horas, água boa e muita, muita atenção de gente experiente durante um mês inteiro. O Tambaqui, precisa ter um lago ou um tanque construído (caro, precisa muito dinheiro) e de terra (cara). Além de alevinos (caros), ração, remédios, gente cuidando diariamente durante um ano para que ele alcance dois quilos. 

E a farinha, de que precisa? De terra (quase todo tipo de solo), um trabalhador para cavar buracos e colocar ali, pedaços de maniva (galho de mandioca) e jogar a terra encima. E pronto. Está plantada. É só esperar seis meses e voltar para arrancar as raízes. E fazer a farinha. Normalmente, numa farinheira rústica de pouco investimento. Um tacho sobre um forno, um ralador de mandioca (o famoso caititu), a habilidade do produtor e sacos para ensacar. 

Não exige gelo nem frigorífico, como o peixe. Não exige galpão fechado com energia elétrica nem luz acesa dia e noite como o frango. Nem três anos de pesados investimentos para criar e abater e guardar, como o boi. Então, diga-me você que talvez saiba mais do que eu, por que o quilo da farinha custa mais que o peixe, o frango e o boi? 

Tem explicação ou é somente ganância, egoísmo, mãosona ou roubo mesmo dos atravessadores e comerciantes, sem controle e sem fiscalização dos órgãos de defesa do consumidor? Hein!!! Vai, fala aí!!!! 

Osmar Silva é jornalista – sr.osmarsilva@gmail.com

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